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Cidade está irreconhecível, diz morador de Blumenau

Sexta, 28 de Novembro de 2008

Wilson João Schröder, 54 anos, é natural do município de Três de Maio (RS) e escolheu, há 13 anos, Blumenau (SC) para viver com a mulher, Margit, 50 anos, e com a filha Melissa, 17 anos. Outros dois filhos - André, 25 anos, e Daniel, 29 anos, moram em Porto Alegre (RS). Quando chegou na cidade catarinense, Schröder disse que escolheu estrategicamente o local que iria morar porque sabia das ocorrências de enchentes na cidade. Ele mora na rua Sideróloplis, no bairro Itoupava Norte, a 100 m do rio Itajaí-Açu.

Após a tragédia, recebeu seis pessoas em sua casa. “Fizemos um abrigo para três casais, seis cachorros e cinco passarinhos na minha casa.” Schröder disse que “é difícil ver em filme” o que presenciou em Blumenau. “Estamos desolados e sem vontade de trabalhar.”

 

Confira abaixo o relato do morador de Blumenau:

Quando viemos morar aqui, a primeira coisa foi procurar um lugar que não pegaria enchente. Na Empresa Nossa Senhora da Glória, de ônibus, em frente a minha casa, foi feito um heliporto na enchente de 1983, porque aqui não iria pegar água. Hoje, ele é utilizado quando necessário. Há 33 anos eu sou do Musical Corpo e Alma, do Rio Grande do Sul. Fui durante 25 anos baterista do grupo e hoje sou do departamento de vendas de bailes para todo o Brasil. Optei em morar em uma cidade que ficasse mais central para eu tocar esse trabalho.

Excesso de chuva
Em Blumenau, em dois meses, nós vimos o sol duas vezes. O resto foi chuva. Com toda essa chuva, a terra estava bastante encharcada. Já havia pequenos deslizamentos, mas normais em enxurradas. No sábado (dia 22 de novembro), começou uma chuva intensa e faltou luz das 22h até a 1h. No outro dia, domingo pela manhã, começamos a ver que já não tinha mais luz em praticamente toda a cidade.

Informação
Devemos ter de 15 a 16 rádios, mas dessas, só duas estavam funcionando - uma da faculdade e uma outra. As três emissoras de TV locais que temos entraram em cadeia. Aí começamos a assistir o que estava acontecendo na cidade.

Solidariedade
Fizemos um abrigo para três casais, seis cachorros e cinco passarinhos na minha casa. Improvisamos colchões no chão e eles dormiram aqui. No outro dia, nós (eu e minha mulher) fizemos almoço para eles.

O namorado da minha filha ficou ilhado aqui em casa. Ele não conseguiu voltar para a dele. Esperamos para levá-lo na terça. Na casa dele não chegou a entrar água, mas na rua em frente ela alcançou 2 m.

Deslizamentos
O maior problema não foi a enchente, mas os deslizamentos de morros com casas. Quando fomos levar o namorado da minha filha, nós passamos em lugares que mal dava para cruzar. Na volta, já encontramos ruas interditadas. Eu presenciei uma retroescavadeira tirando o barro do asfalto. Assim que tirava, o morro vinha descendo junto, de tão derretido e encharcado o solo.

Dias antes da enchente
Uma semana antes da enchente eu e minha mulher passeávamos pelo centro e comentávamos: como está linda essa cidade. Lembramos, inclusive, que na sexta-feira (dia 21) iriam ser ligadas às luzes de Natal. Ia ter um evento, que foi cancelado. Seriam ligadas 80 mil lâmpadas no centro.

Quem viu a cidade uma semana antes, agora não tem como reconhecê-la. Um morro desceu e bloqueou a saída do shopping, que ficou fechado até ontem.

A lama está em torno de 30 cm a 2 m de altura em toda a cidade. As equipes estão trabalhando em diversos pontos. Os moradores também tentam ajudar. A cidade não é mais a mesma, mas o povo daqui já enfrentou isso mais vezes e é um povo muito batalhador. Ele ajuda no que pode. É um povo muito unido.

Uma danceteria e um restaurante do bairro Itoupava Norte anunciaram que têm poço artesiano e estão cedendo água gratuitamente. Todo mundo foi se abastecer nesse local.

Nós voltamos ao tempo uns 50 anos. Eu instalei na pia do banheiro um bebedouro para lavar o rosto e lavar os dentes. Banho, tomávamos de bacia. E um dia ligamos para minha sogra e ela estava com a caixa d’água pela metade e tomamos banho lá. No vaso, usávamos água de balde. Fui umas quatro vezes buscar água no restaurante que estava fornecendo gratuitamente. Às 11h de quinta-feira, a água voltou ao normal.

Reporter: Fabiana Leal
Fonte: Terra

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Homenagem da SEB

Quarta, 26 de Novembro de 2008

Terezinha Manczak, da Sociedade Escritores de Blumenau, envia ao blog crônica-homenagem às vítimas do desastre ocorrido em Blumenau e região. Serve para refletir a respeito:

Terra rasgada
A terra rasgada pelo homem lança-se no vazio, livrando - se do peso da ocupação desenfreada, dos golpes da escavadeira, da plantação de pilares, do esquecimento das autoridades e da vista grossa dos fiscais. Enquanto expõe suas feridas e seu seio aberto em chagas, soterra sonhos, vidas e bens materiais. Abre outra feridas, bem mais dolorosas, no mesmo homem que destrói e nos corpos e corações dos seus semelhantes. A natureza por si já é impiedosa. Alaga, inunda, derruba, mata e desloca.
São as cheias, a seca, os ciclones, tufões e maremotos. Mas a mão do homem que desmata, que constrói sem limites, que abre caminhos impossíveis, polui e não respeita as intempéries, torna essa força mais destruidora e fatal.
Dificilmente veremos um morro, em lugar desabitado e sem interferência humana, se deslocar e desabar da maneira que vimos aqui em Blumenau.
Vale refletir, repensar nossas atitudes, respeitar o meio ambiente e fazer as pazes com o Planeta Terra.
Temos outra alternativa? Temos outro planeta para habitar?
Ainda não existem naves cor-de -rosa para nos transportar, desse vale de lágrimas por um céu de brigadeiro, quando a nossa casa cair e a Terra tornar -se uma morada impossível.”
Terezinha Manczak

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Enchente Blumenau - Pelos comentários

Terça, 25 de Novembro de 2008

alguem sabe como estão o estado das ruas de blumenau? preciso ir do terminal da velha até o centro, nas proximidades da igreja matriz, sei que os pontos estão tranquilos, mas ontem ainda tinha muita água na rua sete de setembro e em frente a vila germânica…
se alguem souber como estão as condições agora e puder me avisar, eu fico no aguardo.
obrigada.

Via comentário: Cintia

Fiz o sentido inverso a pouco. A Rua Bahia esta transitável. Os acessos até a Igreja São Paulo Apóstolo, mesmo que improvisados são possíveis. A Av. Martin Luter está em dois sentidos, o que gera congestionamento. Se possível, não saia de casa.

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Blumenau na Chuva - Twitter e a colaboração da informação

Sábado, 22 de Novembro de 2008

Sou ex-morador da cidade, mas minha família ainda reside em Blumanau (fora dos pontos de alagamento), bem como amigos e conhecidos. Por isso meu interesse por informação é grande, principalmente na internet. Muito maior do que a capacidade que os veículos tradicionais têm para passar sobre o assunto na rede:

- O site da Rádio CBN parece que não é visitado pelos donos faz um tempo.

- A Rádio Atlântida Blumenau - que parece estar informando com qualidade pelas ondas FM - só disponibiliza o áudio de Florianópolis e Porto Alegre.

- Os sites da Folha de Blumenau e Jornal de Santa Catarina estão com seus sites desatualizados.

Nem o Twitter do Jornal de Santa Catarina - que tem dado o respaldo para a rádio Atlântida - consegue aguentar o tranco.

Twitter Search - Noticias de Blumenau

No final das contas, o perfil de terceiros têm sido a única fonte de nóticias em tempo real sobre alagamentos, queda de barreiras e interdição de ruas. Há mais blumenauenses que eu pensava usando a ferramenta, postando a situação nas suas regiões. Para aqueles que ainda não estão familizarizados, fica a dica para que postem com a tag #blumenau as suas mensagens. Assim, centralizamos o conteúdo e ajudamos mecanismos de busca a reunirem as mensagens de forma organizada.

Para acompanhar a torrente de informação, basta acessar o Twitter Search e buscar pela palavra blumenau. Pronto: um canal de informação colaborativo, ágil e sem enrolação, links quebrados e defasagem.

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