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O turismo da reconstrução

Terça, 2 de Dezembro de 2008

O poeta Jorge Linhaça, membro do Poetas Del Mundo, envia crônica falando sobre turismo e a reconstrução de Santa Catarina (dica da SEBiana Terezinha Manczak):

O TURISMO DA RECONSTRUÇÃO
Jorge Linhaça

A ajuda humanitária aos habitantes de Santa Catarina tem sido enorme , vinda de todos os cantos do país, além de países do exterior.

A solidariedade do povo brasileiro não chega a ser novidade para ninguém. A resposta do governo federal também foi rápida coma liberação de recursos para a reconstrução das cidades afetadas.

No entanto, passado o impacto inicial e a exposição forte na mídia, a tendência é irmos aos poucos nos esquecendo da tragédia.

O governo de Santa Catarina já estima, através da secretaria de turismo ( um dos carros chefes da economia das cidades atingidas), centenas de milhões de reais de prejuízo com o cancelamento de reservas para a temporada vindoura.

Visitar as cidades quando tudo está bem qualquer um quer visitar, isso é natural do ser humano. Quando há problemas no entanto, mormente após uma tragédia como esta, a tendência é a mudança de planos,  transferir as férias de veraneio para outras localidades.

No entanto eu me arrisco aqui a apelar para o bom senso e a solidariedade mais do que para a vontade de estar em locais em que o conforto seja , talvez maior, do que nas cidades em questão nos próximos meses.

Vamos tentar entender um pouco a realidade pós tragédia.
As noticias que temos é que a indústria e o comércio foram profundamente afetados pelas enchentes.Muitas empresas por certo terão ainda um grande desafio daqui por diante para poderem se reestruturar.

Algumas delas simplesmente deixarão de existir.

O número de desempregados será, portanto enorme nos próximos meses.

O comércio por certo é o mais fácil ( em termos ) de voltar a tomar fôlego em pouco tempo.

Até mesmo os que sobrevivem de sub empregos, como os catadores de latinhas que vemos nas praias e cidades serão fortemente afetados.

Deixar de viajar para essas cidades, portanto, é praticamente condenar a população a mais uma tragédia ou se preferirem à  prorrogação da tragédia por um tempo ainda maior.

Então estou aqui sugerindo uma nova modalidade de turismo, o turismo da reconstrução, não a reconstrução de prédios, estradas, ou logradouros, mas sim o turismo da reconstrução de vidas.

Manter os planos para visitar essas cidades, mais do que dar a oportunidade de lazer, diversão, e de ver a força de um povo na luta pela reconstrução de suas cidades, nos dá a oportunidade de  participar ativamente , mesmo sem sentir, da reconstrução da auto-estima de um povo abalado por uma tragédia sem precedentes.

Portanto ouso pedir aos que já haviam programado suas férias para quaisquer das cidades atingidas, que mantenham seus planos, que não os modifiquem.

Ouso mais, ouso pedir que, aqueles que ainda não definiram suas viagens de férias, que pensem seriamente em irem para essas cidades.

ENTÃO, QUE TAL? VAMOS AJUDAR A RECONSTRUIR VIDAS?

Poesia , ,

Homenagem - Daniel Costadessouza

Sábado, 29 de Novembro de 2008

O jornalista/artista Daniel Costadessouza envia para o blog um poema-homenagem referente às cheias que invadiram nosso Vale:

Segunda vez

 Válido rio Itajaí,
Vale a pena viver de novo
Verde novo, asfalto novo, móvel pro povo

 Outro riso, outro sol, mão pro amigo

 Vivo de novo
O que é bom se repete
Sempre melhor da segunda vez

Poesia , ,

Começar de novo

Sexta, 28 de Novembro de 2008

Eu tinha medo da escuridão

Até que as noites se fizeram longas e sem luz,

Eu não resistia ao frio facilmente

Até passar a noite molhado numa laje,

Eu tinha medo dos mortos

Até ter que dormir num cemitério,

Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires

Até que me deram abrigo e alimento,

Eu tinha aversão a Judeus

Até darem remédios aos meus filhos,

Eu adorava exibir a minha nova jaqueta

Até dar ela a um garoto com hipotermia,

Eu escolhia cuidadosamente a minha comida

Até que tive fome,

Eu desconfiava da pele escura

Até que um braço forte me tirou da água,

Eu achava que tinha visto muita coisa

Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas,

Eu não gostava do cachorro do meu vizinho

Até ouvi-lo ganir naquela noite ao se afogar,

Eu não lembrava dos idosos

Até participar dos resgates,

Eu não sabia cozinhar

Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome,

Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras

Até ver todas cobertas pelas águas,

Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome

Até a gente se tornar todos seres anônimos,

Eu não ouvia rádio

Até ser ele que manteve a minha energia,

Eu criticava a bagunça dos estudantes

Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias,

Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos

Agora nem tanto,

Eu vivia numa comunidade com uma classe política

Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora,

Eu não lembrava o nome de todos os estados

Agora guardo cada um no coração,

Eu não tinha boa memória

Talvez por isso eu não lembre de todo mundo,

Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos.

Eu não te conhecia

Agora você é meu irmão,

Tínhamos um rio

Agora somos parte dele,

É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio.

Graças a Deus!

Vamos começar de novo!

Anônimo

Recebi por email da Luciane Klein, procurei a autoria no Google e não encontrei, consta apenas como “escrito há alguns anos por um anônimo na Argentina”. Se alguém souber POR FAVOR, identifique o autor.

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